Durante o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que discute a aplicação do teto constitucional de remuneração no serviço público, a juíza aposentada Cláudia Márcia de Carvalho Soares, presidente da Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho (ABMT), afirmou que magistrados de primeira instância precisam arcar com despesas como combustível, financiamento do carro, água e até café com seus próprios salários, por não disporem de carro oficial, apartamento funcional ou plano de saúde custeados pelo Estado.
A declaração ocorreu no âmbito de um debate sobre os chamados “penduricalhos” verbas indenizatórias e gratificações pagas a juízes que podem elevar os rendimentos acima do teto constitucional, atualmente fixado em R$ 46.366,19. Representantes da magistratura argumentam que esses pagamentos são necessários para compensar custos que a carreira supostamente enfrenta devido à falta de estrutura institucional.
A fala da juíza provocou reação nas discussões sobre transparência e limites remuneratórios no Judiciário, já que dados da folha de pagamento mostram que, mesmo em condição de inativa, ela recebeu cerca de R$ 113,8 mil líquidos em dezembro, valor que supera em muito o teto constitucional ainda que inclua parcelas como 13º salário, férias indenizadas e possíveis retroativos.
O caso reacende o debate sobre a legitimidade e a abrangência dos pagamentos acima do teto no serviço público, tema que continua sendo analisado pelos ministros da Corte.

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