Uma operação de grande impacto da Polícia Civil da Bahia, batizada de "Elas por Elas", resultou na prisão de uma diretora de 51 anos na manhã desta segunda-feira (23), no município de Jequié. A investigada era a responsável por uma instituição de acolhimento feminino e agora responde por crimes gravíssimos, que incluem tortura, peculato, estelionato e lavagem de dinheiro. De acordo com as investigações conduzidas pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Jequié, a mulher é suspeita de submeter as acolhidas a sessões de agressões físicas e psicológicas. Entre as vítimas identificadas está uma adolescente de 17 anos, e a polícia afirma possuir registros em vídeo que comprovam episódios de violência contra uma das residentes.
Além dos maus-tratos, a operação revelou um esquema de corrupção e invasão de privacidade dentro da unidade. Há indícios de que a diretora realizava desvios de recursos públicos e movimentações financeiras irregulares para benefício próprio. Outro ponto alarmante da investigação aponta para a instalação de câmeras em áreas privadas da instituição, o que configuraria uma grave violação da intimidade das mulheres e adolescentes acolhidas. Durante a ação policial, que contou com o apoio de unidades regionais e especializadas, foram apreendidos computadores, celulares, documentos e um veículo de luxo, modelo Corolla Cross, que passarão por perícia técnica para robustecer as provas do inquérito.
Diante da gravidade dos fatos, a Justiça determinou o afastamento imediato de toda a diretoria da entidade e nomeou um interventor para assumir a gestão provisória do local, garantindo a continuidade do serviço essencial. O Poder Judiciário também autorizou o acesso aos dados dos aparelhos apreendidos para identificar a extensão dos crimes financeiros e possíveis outros envolvidos. As vítimas resgatadas dessa situação de vulnerabilidade passarão a ser acompanhadas de perto pela rede de proteção social do município, enquanto a suspeita permanece custodiada à disposição da Justiça, aguardando o desenrolar do processo que apura o desvio de finalidade de uma instituição que deveria servir como refúgio e proteção.

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