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Convenções homologam três chapas ao Governo da Bahia; conheça as propostas apresentadas


As convenções partidárias realizadas nas últimas semanas homologaram as três principais chapas que disputarão o Governo da Bahia nas eleições de outubro. Em pouco mais de dez dias, foram confirmadas as candidaturas do governador Jerônimo Rodrigues (PT), que buscará a reeleição; do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil), à frente da principal aliança de oposição – agora apenas como Neto; e de Ronaldo Mansur (PSOL), candidato da federação formada com a Rede Sustentabilidade.

Concluídas as convenções das três chapas já anunciadas, os documentos apresentados e os discursos realizados nos eventos permitem identificar as prioridades e as linhas gerais dos projetos de governo para o período de 2027 a 2030.

A primeira convenção foi realizada em 22 de julho, quando ACM Neto teve sua chapa homologada no Centro de Convenções de Salvador. O evento reuniu os partidos que integram a ampla aliança de oposição liderada pelo União Brasil, entre eles Progressistas, Republicanos, PL, Podemos, Novo e as federações PSDB/Cidadania e PRD/Solidariedade. Na ocasião, foi confirmado Zé Cocá, ex-prefeito de Jequié, como candidato a vice-governador, além de Angelo Coronel e João Roma para as duas vagas ao Senado.

Em 24 de julho, a Federação PSOL-Rede homologou, em convenção realizada em um hotel no bairro de Itaigara, em Salvador, a candidatura de Ronaldo Mansur ao Governo da Bahia. A chapa foi composta por Meire Reis como candidata a vice-governadora e por Delliana Ricelli e Marcelo Carvalho, da Rede Sustentabilidade, como candidatos ao Senado.

A última convenção ocorreu em 1º de agosto, quando o PT confirmou a candidatura à reeleição de Jerônimo Rodrigues, em evento realizado no Parque de Exposições de Salvador, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A chapa manteve Geraldo Júnior (MDB) como candidato a vice-governador e lançou os ex-governadores Jaques Wagner e Rui Costa para as duas vagas ao Senado.

Pelo calendário eleitoral, partidos, federações e coligações têm até as 19 horas do dia 15 de agosto para apresentar à Justiça Eleitoral os pedidos de registro das candidaturas. A partir de 16 de agosto, estará autorizada a propaganda eleitoral nas ruas, na internet e nos demais meios permitidos pela legislação.
Embora ainda em fase inicial de campanha, os materiais apresentados pelas três candidaturas revelam diferentes concepções de gestão para o estado.

O programa de Jerônimo Rodrigues aposta na continuidade das políticas implementadas pelo atual governo. O documento prioriza a ampliação da rede socioassistencial, a recuperação da cobertura vacinal, o fortalecimento da saúde mental, a expansão da rede de oncologia e de reabilitação, o atendimento prioritário às pessoas com transtorno do espectro autista, a regionalização dos serviços de urgência e emergência e a integração entre saúde e assistência social para garantir um envelhecimento digno da população.Na área da educação, a principal meta apresentada é a universalização do ensino em tempo integral em todas as escolas estaduais. Durante a convenção, Jerônimo Rodrigues afirmou que pretende manter uma agenda voltada ao cuidado da população, especialmente de idosos, pessoas com deficiência, pessoas com autismo e da juventude, prometendo ampliar oportunidades de qualificação profissional, trabalho, cultura e lazer. O documento apresentado, entretanto, tem formato de carta de compromissos e não detalha metas numéricas, cronogramas ou fontes de financiamento.

Já Neto estrutura seu programa na proposta de uma gestão orientada por resultados. O candidato sustenta que o atual modelo administrativo está esgotado e propõe uma administração baseada em metas regionalizadas, avaliação permanente do desempenho dos secretários e monitoramento direto pelo governador.

O plano está organizado em três grandes eixos — Vida Digna, Prosperidade Territorial e Futuro Baiano — e utiliza os chamados “seis motores da prosperidade” — capital humano, financeiro, tecnológico, social, físico e institucional — como fundamento da política de desenvolvimento econômico. Entre as propostas está a criação do DNA da Bahia, um sistema de inteligência territorial destinado a subsidiar a elaboração de planejamentos estratégicos específicos para cada um dos 27 Territórios de Identidade do estado.

Por sua vez, Ronaldo Mansur apresenta sua candidatura como alternativa à esquerda tanto do PT quanto do grupo político historicamente associado ao carlismo. O documento da Federação PSOL-Rede reúne diretrizes que servirão de base para a elaboração do programa definitivo de governo.

Entre as propostas apresentadas estão a ampliação da oferta de creches, inclusive em período noturno; o fortalecimento da atenção básica do Sistema Único de Saúde (SUS); a implantação de cozinhas comunitárias e programas de distribuição de gás de cozinha para famílias em situação de vulnerabilidade; a urbanização de bairros periféricos; a regularização fundiária; a destinação de 1,5% do orçamento estadual para a cultura; a manutenção da Embasa sob controle público e o fortalecimento dos mecanismos de controle externo das polícias.

A segurança pública voltou a ocupar espaço de destaque na disputa pelo Governo da Bahia, embora as três candidaturas também tenham apresentado propostas nas áreas de educação, saúde, desenvolvimento econômico e assistência social.

Na campanha de ACM Neto, o tema tornou-se um dos principais eixos do discurso, sob o lema “mudança com segurança”. Entre as medidas anunciadas estão reuniões periódicas de acompanhamento presididas pelo próprio governador, integração dos bancos de dados das forças policiais, ampliação do videomonitoramento e implantação do bloqueio do sinal de telefonia celular nos presídios nos cem primeiros dias de governo.

O candidato também tem criticado as condições da infraestrutura rodoviária, citando a BR-324 — rodovia federal atualmente administrada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) —, além das filas da regulação estadual para procedimentos médicos.

O governador Jerônimo Rodrigues defende a continuidade da política de segurança baseada em inteligência policial, integração entre as forças de segurança, realização de novos concursos públicos e ampliação da cooperação com o Governo Federal para implantação de unidades destinadas ao isolamento de lideranças de facções criminosas. Durante a convenção petista, aliados também destacaram como realizações do atual mandato a expansão das escolas de tempo integral e a inauguração de hospitais de alta complexidade.

Já o PSOL defende o fortalecimento do controle externo das polícias, a utilização de câmeras corporais pelos agentes de segurança e maior prioridade para a investigação, a inteligência e a prevenção social, reduzindo a centralidade das ações baseadas no confronto ostensivo. O partido também propõe medidas para enfrentar a superlotação do sistema prisional.

Com a realização das convenções das principais chapas, o processo eleitoral entra agora na etapa de apresentação dos pedidos de registro das candidaturas perante a Justiça Eleitoral. A campanha oficial terá início em 16 de agosto e seguirá até a votação, marcada para 4 de outubro.

Segundo dados da Justiça Eleitoral, a Bahia possui 11.321.005 eleitoras e eleitores aptos a votar, o equivalente a 7,13% do eleitorado brasileiro, consolidando-se como o quarto maior colégio eleitoral do país, atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Após o registro das candidaturas, os planos de governo apresentados à Justiça Eleitoral passarão a ser importantes instrumentos de acompanhamento e cobrança pública. Caberá aos eleitores, à imprensa, ao Poder Legislativo e aos órgãos de controle acompanhar quais promessas serão incorporadas ao planejamento estadual, receberão previsão orçamentária e efetivamente se transformarão em políticas públicas ao longo do mandato do candidato eleito.

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